Desafios do patrimônio no coração do centro comercial paulistano
Data: 10/11/2025
Horário e duração: 14h às 15h (1 hora)
Local: Casa Bandeirista do Itaim
Modalidade: Presencial
Na visita à Casa Bandeirista do Itaim, local onde mantemos uma atuação contínua de Zeladoria do Patrimônio Cultural, por meio de um passeio externo, propusemos uma reflexão sobre os desafios de preservar um bem cultural situado no coração de um dos centros comerciais mais dinâmicos e verticalizados de São Paulo. A Casa, remanescente de um contexto rural e colonial, constitui um ponto de resistência histórica em meio à metrópole contemporânea, exigindo estratégias de gestão sensíveis às pressões urbanas e ambientais que a cercam.
Abordamos desde a relação histórica da casa com os rios da região, hoje, em sua maioria, canalizados ou aterrados, até questões relacionadas aos impactos ambientais contemporâneos, como poluição, vibrações constantes, sombreamento excessivo e alterações climáticas que intensificam eventos como o excesso de chuvas. Tais fatores tornam imprescindíveis o monitoramento contínuo e intervenções preventivas. A visita permitiu compreender que preservar a Casa Bandeirista do Itaim significa, além de conservar sua materialidade, criar condições para que memória e história dialoguem com uma cidade em permanente transformação.
Conservação e cuidados no bem cultural a partir de ação natural
Data: 10/11/2025
Horário e duração: 15h às 16h (1 hora)
Local: Casa Bandeirista do Itaim
Modalidade: Presencial
Na segunda parte da visita, dentro da Casa Bandeirista do Itaim, aprofundamos a compreensão sobre como os fatores naturais influenciam diretamente a conservação dos bens culturais. Ao percorrer os ambientes internos, destacamos os efeitos da luz solar incidente, da variação de umidade e das oscilações de temperatura sobre elementos construtivos e revestimentos tradicionais como madeira, barro e cal.
Trouxemos também aspectos históricos da casa, como a disposição dos cômodos, os modos de vida e morar do período. Como parte de nossas práticas de Zeladoria do Patrimônio Cultural na casa, apresentamos, então, estratégias de mitigação e conservação preventiva aplicáveis ao cotidiano do edifício. Também abordamos a necessidade de rotinas sistemáticas de inspeção, registro e pequenas intervenções, reforçando que a preservação do patrimônio depende tanto do conhecimento técnico quanto da observação cotidiana. Essa etapa da visita evidenciou que cuidar de um bem cultural exige compreender seu comportamento diante da ação natural e adotar práticas constantes que garantam sua longevidade para as gerações futuras.
Apresentação
O Instituto Sarasá é uma organização dedicada a aproximar pessoas e patrimônio cultural, atuando na difusão e na educação patrimonial por meio de projetos, oficinas e vivências que fortalecem o sentimento de pertencimento e a valorização coletiva. Com abordagem social e política, o Instituto entende o patrimônio como narrativas e práticas vivas, desenvolve ações que estimulam a participação das comunidades, promovem vínculos e ampliam a consciência sobre a importância dos bens culturais no cotidiano.
Como parte central dessa atuação, a Zeladoria do Patrimônio Cultural constitui uma de nossas principais metodologias e formas de compreensão do patrimônio. Concebida em 2000 e registrada como prática autoral, a Zeladoria propõe uma preservação simples, acessível e profundamente participativa, baseada no aprendizado assistido, no resgate de técnicas e saberes tradicionais, na cultura da memória e na atribuição coletiva de valores. Por meio de projetos, agendas, oficinas e canteiros vivos, essa abordagem coloca o componente humano no centro, incentivando o reencontro com fazeres, observações afetivas e relações críticas com as histórias e memórias dos lugares.
Cada ação de Zeladoria é construída a partir dos pilares do conhecimento, pertencimento e empoderamento, gerando impactos sociais, econômicos e culturais que reforçam a vitalidade do patrimônio e sua conexão com as comunidades que o vivenciam:
Dessa forma, o presente documento tem como objetivo registrar os temas abordados nas masterclasses ministradas, detalhando a condução das aulas, as dinâmicas propostas e o engajamento do público. Nas atividades realizadas em canteiros e edifícios tombados, foram utilizados, em algumas visitas, materiais didáticos convencionais, como apresentações iniciais que contextualizavam o edifício, sua história e os objetivos da experiência. No entanto, o foco principal esteve na abordagem prática, que privilegiou a vivência direta com o patrimônio e a relação sensível do público com o edifício.
Essa prática envolveu observar, tocar, percorrer e interpretar os espaços, reconhecendo in loco as técnicas construtivas, os materiais, os processos de degradação e as soluções de conservação. A partir de demonstrações ao vivo, buscamos transformar o próprio bem cultural em sala de aula, permitindo que os participantes compreendessem o patrimônio a partir da experiência concreta, do olhar atento e do diálogo com o lugar, elementos fundamentais para fortalecer a percepção, o pertencimento e a valorização coletiva.
Além disso, reafirmamos o compromisso contínuo do Instituto Sarasá com a disseminação de ações voltadas para educação patrimonial, entendida como um processo formativo que aproxima as pessoas dos bens culturais por meio do conhecimento, da experiência e da corresponsabilidade. Nesse contexto, nossa atuação se posiciona como um articulador de saberes, fomentando práticas que fortalecem as cadeias produtivas da cultura e ampliam o acesso à educação.
Desta forma, a parceria com a Escola de Patrimônio do CULTSP PRO tem sido fundamental nesse propósito, fortalecendo a construção de metodologias sensíveis e participativas, que articulam teoria e prática. Essa colaboração amplia o alcance das ações formativas e educativas, qualifica os conteúdos oferecidos e reforça a missão compartilhada de promover o cuidado cotidiano com os bens culturais e a difusão de saberes relacionados à sua conservação.












