Canteiro de modelagem: o restauro de ornamentos
Data: 17/11/2025
Horário e duração: 14h às 15h (1 hora)
Local: Edifício Caetano de Campos
Modalidade: Presencial
No edifício da antiga Escola Normal Caetano de Campos, convidamos o público a mergulhar no universo do restauro de ornamentos, um tema especialmente relevante em uma construção eclética do final do século XIX, marcada por forte presença de elementos neoclássicos. Suas fachadas, ricamente adornadas com frisos, pingadeiras, medalhões, esculturas e baixos-relevos, expressam a exuberância ornamental da época e, ao mesmo tempo, evidenciam a complexidade técnica que o processo de restauração exige. Cada detalhe demanda compreensão histórica, análise material e escolhas precisas para garantir que a intervenção respeite a integridade estética do edifício.
Durante a masterclass, apresentamos uma ampla gama de moldes, ferramentas e materiais utilizados para a reprodução e recuperação dos ornamentos, demonstrando como técnicas tradicionais se articulam com metodologias contemporâneas de restauro. Discutimos critérios de intervenção, o uso de referências documentais e a necessidade de compatibilidade entre os materiais novos e os tradicionais, além de apresentar etapas de modelagem, recomposição volumétrica e reintegração formal.
A presença do mestre escultor José Salazar juntamente com nosso mestre de restauro, Marcos Máximo, responsáveis pela formação da equipe no canteiro e pela transmissão de saberes das artes e ofícios, enriqueceu a atividade ao permitir que o público acompanhasse de perto demonstrações práticas e compreendesse a complexidade do trabalho manual. Assim, a masterclass, concebida como um verdadeiro canteiro de modelagem, proporcionou aos participantes uma visão aprofundada sobre o restauro de ornamentos arquitetônicos e sobre o cuidado necessário para preservar essa expressividade do edifício.
Argamassas tradicionais
Data: 17/11/2025
Horário e duração: 15h às 16h (1 hora)
Local: Edifício Caetano de Campos
Modalidade: Presencial
A segunda masterclass, dedicada às argamassas tradicionais, contou com um percurso ao redor do edifício para que o público pudesse compreender, de forma prática, todo o ciclo de produção e aplicação desses materiais. Durante o passeio, os participantes observaram os locais de armazenamento da pasta de cal, da areia e demais insumos que compõem a argamassa, entendendo a importância do tempo de maturação, da escolha dos agregados e da manipulação adequada dos materiais. Também visitamos diferentes trechos da fachada: alguns já restaurados com argamassa de cal, evidenciando sua integração harmônica com o edifício, e outros ainda marcados pela presença de materiais incompatíveis, cujos efeitos negativos eram visíveis na forma de fissuras, destacamentos e manchas de umidade.
Ao longo da atividade, enfatizamos a importância do uso de argamassas tradicionais em edifícios históricos, especialmente aqueles construídos com fundação direta no solo e sem impermeabilização — como é o caso do Caetano de Campos. Explicamos que esses edifícios dependem de revestimentos permeáveis, capazes de permitir que a umidade ascendente seja expelida naturalmente pelas paredes, evitando seu aprisionamento e, consequentemente, patologias decorrentes do excesso de água. Ressaltamos as propriedades físicas e químicas das argamassas de cal, sua compatibilidade com o edifício e seu papel fundamental em intervenções de conservação e restauro. A masterclass permitiu que o público compreendesse, na prática, por que a escolha correta da argamassa é decisiva para a saúde e longevidade do patrimônio edificado.
Apresentação
O Instituto Sarasá é uma organização dedicada a aproximar pessoas e patrimônio cultural, atuando na difusão e na educação patrimonial por meio de projetos, oficinas e vivências que fortalecem o sentimento de pertencimento e a valorização coletiva. Com abordagem social e política, o Instituto entende o patrimônio como narrativas e práticas vivas, desenvolve ações que estimulam a participação das comunidades, promovem vínculos e ampliam a consciência sobre a importância dos bens culturais no cotidiano.
Como parte central dessa atuação, a Zeladoria do Patrimônio Cultural constitui uma de nossas principais metodologias e formas de compreensão do patrimônio. Concebida em 2000 e registrada como prática autoral, a Zeladoria propõe uma preservação simples, acessível e profundamente participativa, baseada no aprendizado assistido, no resgate de técnicas e saberes tradicionais, na cultura da memória e na atribuição coletiva de valores. Por meio de projetos, agendas, oficinas e canteiros vivos, essa abordagem coloca o componente humano no centro, incentivando o reencontro com fazeres, observações afetivas e relações críticas com as histórias e memórias dos lugares.
Cada ação de Zeladoria é construída a partir dos pilares do conhecimento, pertencimento e empoderamento, gerando impactos sociais, econômicos e culturais que reforçam a vitalidade do patrimônio e sua conexão com as comunidades que o vivenciam:
Dessa forma, o presente documento tem como objetivo registrar os temas abordados nas masterclasses ministradas, detalhando a condução das aulas, as dinâmicas propostas e o engajamento do público. Nas atividades realizadas em canteiros e edifícios tombados, foram utilizados, em algumas visitas, materiais didáticos convencionais, como apresentações iniciais que contextualizavam o edifício, sua história e os objetivos da experiência. No entanto, o foco principal esteve na abordagem prática, que privilegiou a vivência direta com o patrimônio e a relação sensível do público com o edifício.
Essa prática envolveu observar, tocar, percorrer e interpretar os espaços, reconhecendo in loco as técnicas construtivas, os materiais, os processos de degradação e as soluções de conservação. A partir de demonstrações ao vivo, buscamos transformar o próprio bem cultural em sala de aula, permitindo que os participantes compreendessem o patrimônio a partir da experiência concreta, do olhar atento e do diálogo com o lugar, elementos fundamentais para fortalecer a percepção, o pertencimento e a valorização coletiva.
Além disso, reafirmamos o compromisso contínuo do Instituto Sarasá com a disseminação de ações voltadas para educação patrimonial, entendida como um processo formativo que aproxima as pessoas dos bens culturais por meio do conhecimento, da experiência e da corresponsabilidade. Nesse contexto, nossa atuação se posiciona como um articulador de saberes, fomentando práticas que fortalecem as cadeias produtivas da cultura e ampliam o acesso à educação.
Desta forma, a parceria com a Escola de Patrimônio do CULTSP PRO tem sido fundamental nesse propósito, fortalecendo a construção de metodologias sensíveis e participativas, que articulam teoria e prática. Essa colaboração amplia o alcance das ações formativas e educativas, qualifica os conteúdos oferecidos e reforça a missão compartilhada de promover o cuidado cotidiano com os bens culturais e a difusão de saberes relacionados à sua conservação.













