Zeladoria do Patrimônio Cultural no MAS
Data: 03/11/2025
Horário e duração: 14h às 15h (1 hora)
Local: Museu de Arte Sacra
Modalidade: Presencial
Material didático complementar:
Nessa visita, abordamos práticas de Zeladoria aplicadas ao Museu de Arte Sacra de São Paulo, local onde essa metodologia nasceu há mais de 20 anos. Iniciamos a masterclass através de uma apresentação, contextualizando o Mosteiro da Luz e a criação do Museu de Arte Sacra, junto ao histórico da criação da Zeladoria e sua estreita relação com o cotidiano do museu, reforçando a importância do olhar sensível e contínuo sobre o patrimônio. Ao percorrer os espaços, discutimos como a conservação começa pelo entendimento profundo do edifício, do acervo e das dinâmicas que envolvem o uso, a circulação e a memória do lugar.
Enfatizamos também as rotinas de inspeção, manutenção preventiva e registro sistemático das condições dos acervos e dos ambientes, destacando como essas práticas contribuem para prevenir danos, orientar decisões e fortalecer a gestão do patrimônio cultural. A visita permitiu que os participantes vivenciassem, na prática, o olhar Zeladoria, compreendendo que preservar é um exercício diário de observação, cuidado e responsabilidade coletiva.
Técnicas construtivas existentes no Museu de Arte Sacra de São Paulo, com foco nas taipas
Data: 03/11/2025
Horário e duração: 15h às 16h (1 hora)
Local: Museu de Arte Sacra
Modalidade: Presencial
Realizamos um percurso orientado pelo edifício para explorar os métodos construtivos tradicionais, com foco especial no mundo das taipas. Ao caminhar pelos espaços, identificamos in loco suas características estruturais, funcionais e históricas, reconhecendo elementos como taipa de pilão, taipa de mão e taipa de sopapo. O contato direto com as superfícies, texturas e patologias permitiu aos participantes compreender a inteligência material dessas técnicas e seu vínculo com saberes ancestrais, práticas comunitárias e formas históricas de ocupação do território.
Ao longo do trajeto, discutimos também os desafios de conservação do patrimônio edificado no contexto museal e urbano, abordando questões como umidade, intervenções incompatíveis, envelhecimento de materiais e pressões contemporâneas. Foram apresentadas estratégias de monitoramento, manutenção preventiva e escolha adequada de materiais e métodos, reforçando a necessidade de intervenções criteriosas e sensíveis. O percurso evidenciou como a observação direta, aliada ao conhecimento técnico e ao envolvimento das pessoas, é fundamental para preservar e valorizar esses sistemas construtivos tradicionais.
Apresentação
O Instituto Sarasá é uma organização dedicada a aproximar pessoas e patrimônio cultural, atuando na difusão e na educação patrimonial por meio de projetos, oficinas e vivências que fortalecem o sentimento de pertencimento e a valorização coletiva. Com abordagem social e política, o Instituto entende o patrimônio como narrativas e práticas vivas, desenvolve ações que estimulam a participação das comunidades, promovem vínculos e ampliam a consciência sobre a importância dos bens culturais no cotidiano.
Como parte central dessa atuação, a Zeladoria do Patrimônio Cultural constitui uma de nossas principais metodologias e formas de compreensão do patrimônio. Concebida em 2000 e registrada como prática autoral, a Zeladoria propõe uma preservação simples, acessível e profundamente participativa, baseada no aprendizado assistido, no resgate de técnicas e saberes tradicionais, na cultura da memória e na atribuição coletiva de valores. Por meio de projetos, agendas, oficinas e canteiros vivos, essa abordagem coloca o componente humano no centro, incentivando o reencontro com fazeres, observações afetivas e relações críticas com as histórias e memórias dos lugares.
Cada ação de Zeladoria é construída a partir dos pilares do conhecimento, pertencimento e empoderamento, gerando impactos sociais, econômicos e culturais que reforçam a vitalidade do patrimônio e sua conexão com as comunidades que o vivenciam:
Dessa forma, o presente documento tem como objetivo registrar os temas abordados nas masterclasses ministradas, detalhando a condução das aulas, as dinâmicas propostas e o engajamento do público. Nas atividades realizadas em canteiros e edifícios tombados, foram utilizados, em algumas visitas, materiais didáticos convencionais, como apresentações iniciais que contextualizavam o edifício, sua história e os objetivos da experiência. No entanto, o foco principal esteve na abordagem prática, que privilegiou a vivência direta com o patrimônio e a relação sensível do público com o edifício.
Essa prática envolveu observar, tocar, percorrer e interpretar os espaços, reconhecendo in loco as técnicas construtivas, os materiais, os processos de degradação e as soluções de conservação. A partir de demonstrações ao vivo, buscamos transformar o próprio bem cultural em sala de aula, permitindo que os participantes compreendessem o patrimônio a partir da experiência concreta, do olhar atento e do diálogo com o lugar, elementos fundamentais para fortalecer a percepção, o pertencimento e a valorização coletiva.
Além disso, reafirmamos o compromisso contínuo do Instituto Sarasá com a disseminação de ações voltadas para educação patrimonial, entendida como um processo formativo que aproxima as pessoas dos bens culturais por meio do conhecimento, da experiência e da corresponsabilidade. Nesse contexto, nossa atuação se posiciona como um articulador de saberes, fomentando práticas que fortalecem as cadeias produtivas da cultura e ampliam o acesso à educação.
Desta forma, a parceria com a Escola de Patrimônio do CULTSP PRO tem sido fundamental nesse propósito, fortalecendo a construção de metodologias sensíveis e participativas, que articulam teoria e prática. Essa colaboração amplia o alcance das ações formativas e educativas, qualifica os conteúdos oferecidos e reforça a missão compartilhada de promover o cuidado cotidiano com os bens culturais e a difusão de saberes relacionados à sua conservação.














