No dia 24 de janeiro de 2026, integrando as agendas comemorativas dos 472 anos de São Paulo, o Estúdio Sarasá e o Instituto Sarasá, em parceria com o Núcleo de Ação Educativa do Museu de Arte Sacra de São Paulo, realizaram a oficina Taipa de Mão em Miniatura. Tendo como base a estrutura construtiva do Mosteiro da Luz e suas taipas, o encontro se constituiu de uma etapa de visitação, seguidamente de exposição teórica e da prática.
Resgatamos, aqui, um pouco do exercício de aprendizado, estreitando sua relação com a Zeladoria do Patrimônio Cultural, abordagem que convoca os participantes à sensibilização e a olhar para a fisiologia da edificação.
As construções com terra são milenares e possibilitam uma variedade de técnicas construtivas. Tais técnicas buscam ajustar as edificações às condições climáticas locais, aos materiais disponíveis na região e às particularidades culturais de cada comunidade. Destaquem-se as práticas indígenas e africanas com a terra, as quais, aqui no país, somaram-se às soluções da arquitetura colonial. Na atualidade, a técnica é retomada, como medida de sustentabilidade e de resgate dos conhecimentos locais. De acordo com o Professor Carlos A. C. Lemos, temos a taipa de mão empregada nas mais modestas às magnificas construções (Corona & Lemos, 1972).
Detemo-nos, aqui, na Taipa de Mão. O pau a pique, a taipa de sopapo, de sebe. A taipinha, experiência de nossa oficina, é um modelo reduzido que permite a fruição da empiria e do natural.
As madeiras que estruturam a taipa de mão se chamam esteios ou pés direitos, cravados no chão. As vigas horizontais inferiores que fazem a ligação, chamam-se baldrames, sendo as superiores denominadas frechais. Nestas, são executados orifícios que permitem a fixação dos paus verticais, denominados paus-a-pique. Externa e internamente, são feitas amarrações às varas horizontais, utilizando de cipó, embira ou outro material. Assim, teremos o esqueleto, a sustentar o barro que será aplicado. Como no nosso corpo, o esqueleto suporta o restante.
A musculatura é a terra argilosa que preencherá os vãos. O barro é “atirado” de ambos os lados, por duas pessoas ao mesmo tempo. Para evitar rachaduras, a terra pode receber fibras ou algum aglutinante. Na taipinha, após as amarrações, o barro é colocado pelo participante. As texturas do amadeirado, a temperatura e a umidade do barro e a trama, permitem a experiência do saber-fazer.
A pele é a camada mais externa e arenosa, permitindo a transpiração. Para o mestre Lemos (Corona & Lemos, 1972), nas camadas sucessivas à primeira de terra e aglutinantes, predominava a areia, que pede a presença da cal.
A diversidade das arquiteturas em terra, suas especificidades aos contextos locais e comunidades, se constituem em um patrimônio a ser reconhecido e preservado. Nesse sentido, o professor Lemos (2013) enfatizou o papel da taipa de mão na expansão urbana e rural, configurando paisagens edificadas que marcaram a experiência cotidiana de amplas camadas da população, devendo a técnica ser reconhecida como parte essencial do patrimônio arquitetônico brasileiro, não apenas por seu valor material, mas também por expressar modos de vida, práticas culturais e conhecimentos transmitidos intergeracionalmente.
Como medida de preservação do conhecimento e da cultura construtiva da terra, a Taipinha de Mão se constituiu em um exercício lúdico e participativo que convoca os saberes e vivências ancestrais, uma bela homenagem à São Paulo de outrora e aos exemplares que ainda a cultuam, como o Mosteiro da Luz e o Museu de Arte Sacra.








