Estação da Luz: história, técnica e caminhos das águas
Data: 08/12/2025
Horário e duração: 14h às 15h (1 hora)
Local: Edifícios Estação da Luz e Estação Júlio Prestes
Modalidade: Presencial
Na visita à Estação da Luz propusemos uma reflexão sobre a relação entre o edifício, sua implantação urbana e os caminhos das águas que permeiam a região. Ao caminhar pelos espaços externos e internos, discutimos como a estação foi construída em uma área de vales, com plataformas situadas abaixo do nível da rua, o que a coloca em diálogo constante com o comportamento hídrico do terreno.
A partir dessa contextualização, apresentamos as estratégias adotadas no processo de restauro conduzido pelo Estúdio Sarasá, enfatizando a opção por não impermeabilizar paredes da estação com umidade, mas permitir que o edifício conviva com essa água, respire e mantenha seus equilíbrios físico-ambientais. A visita evidenciou como a compreensão da história do edifício e do meio no qual ele está inserido, com as águas visíveis e invisíveis, orientou as decisões de conservação.
Também destacamos as técnicas construtivas que caracterizam a Estação da Luz, como o uso combinado de alvenarias portantes em tijolos e estruturas metálicas pré-fabricadas, concebidas para absorver e dissipar as vibrações geradas pelo intenso fluxo de trens e metrôs. Esses sistemas, articulados entre si, permitem que o edifício se movimente de forma controlada, garantindo estabilidade, durabilidade e um comportamento estrutural compatível com sua função ferroviária.
Apresentação
O Instituto Sarasá é uma organização dedicada a aproximar pessoas e patrimônio cultural, atuando na difusão e na educação patrimonial por meio de projetos, oficinas e vivências que fortalecem o sentimento de pertencimento e a valorização coletiva. Com abordagem social e política, o Instituto entende o patrimônio como narrativas e práticas vivas, desenvolve ações que estimulam a participação das comunidades, promovem vínculos e ampliam a consciência sobre a importância dos bens culturais no cotidiano.
Como parte central dessa atuação, a Zeladoria do Patrimônio Cultural constitui uma de nossas principais metodologias e formas de compreensão do patrimônio. Concebida em 2000 e registrada como prática autoral, a Zeladoria propõe uma preservação simples, acessível e profundamente participativa, baseada no aprendizado assistido, no resgate de técnicas e saberes tradicionais, na cultura da memória e na atribuição coletiva de valores. Por meio de projetos, agendas, oficinas e canteiros vivos, essa abordagem coloca o componente humano no centro, incentivando o reencontro com fazeres, observações afetivas e relações críticas com as histórias e memórias dos lugares.
Cada ação de Zeladoria é construída a partir dos pilares do conhecimento, pertencimento e empoderamento, gerando impactos sociais, econômicos e culturais que reforçam a vitalidade do patrimônio e sua conexão com as comunidades que o vivenciam:
Dessa forma, o presente documento tem como objetivo registrar os temas abordados nas masterclasses ministradas, detalhando a condução das aulas, as dinâmicas propostas e o engajamento do público. Nas atividades realizadas em canteiros e edifícios tombados, foram utilizados, em algumas visitas, materiais didáticos convencionais, como apresentações iniciais que contextualizavam o edifício, sua história e os objetivos da experiência. No entanto, o foco principal esteve na abordagem prática, que privilegiou a vivência direta com o patrimônio e a relação sensível do público com o edifício.
Essa prática envolveu observar, tocar, percorrer e interpretar os espaços, reconhecendo in loco as técnicas construtivas, os materiais, os processos de degradação e as soluções de conservação. A partir de demonstrações ao vivo, buscamos transformar o próprio bem cultural em sala de aula, permitindo que os participantes compreendessem o patrimônio a partir da experiência concreta, do olhar atento e do diálogo com o lugar, elementos fundamentais para fortalecer a percepção, o pertencimento e a valorização coletiva.
Além disso, reafirmamos o compromisso contínuo do Instituto Sarasá com a disseminação de ações voltadas para educação patrimonial, entendida como um processo formativo que aproxima as pessoas dos bens culturais por meio do conhecimento, da experiência e da corresponsabilidade. Nesse contexto, nossa atuação se posiciona como um articulador de saberes, fomentando práticas que fortalecem as cadeias produtivas da cultura e ampliam o acesso à educação.
Desta forma, a parceria com a Escola de Patrimônio do CULTSP PRO tem sido fundamental nesse propósito, fortalecendo a construção de metodologias sensíveis e participativas, que articulam teoria e prática. Essa colaboração amplia o alcance das ações formativas e educativas, qualifica os conteúdos oferecidos e reforça a missão compartilhada de promover o cuidado cotidiano com os bens culturais e a difusão de saberes relacionados à sua conservação.













