Ações de conservação do Patrimônio Cultural
Data: 05/11/2025
Horário e duração: 14h às 15h (1 hora)
Local: Museu de Zoologia
Modalidade: Presencial
Material didático complementar:
Em parceria com o Museu de Zoologia, onde estamos realizando uma intervenção de conservação nas fachadas, esquadrias metálicas e vitrais, conduzimos uma visita ao canteiro de obras com o propósito de apresentar, a partir da experiência prática em andamento, estratégias, desafios e procedimentos relacionados à conservação preventiva e corretiva. O objetivo foi demonstrar como as decisões e ações adotadas no campo garantem a integridade física e estética do bem cultural, evidenciando a importância do monitoramento contínuo e da compreensão das dinâmicas ambientais que afetam o edifício.
A visita se iniciou no auditório do Museu, onde apresentamos para o público um pouco da história do Museu de Zoologia, do edifício que o abriga, seu acervo, e dos trabalhos que estão sendo realizados por nós. Após essa introdução seguimos para um percurso em torno do edifício.
Durante o percurso, utilizamos o trabalho de higienização das fachadas como ferramenta pedagógica para mostrar ao público os diferentes estados de conservação do edifício. Destacamos como a orientação das fachadas, por exemplo, superfícies voltadas para o Sul, mais expostas a umidade e menor insolação, em contraste com aquelas voltadas para o Norte, resulta em patologias distintas. Discutimos também como o ambiente fortemente úmido da região, devido à proximidade com o Parque da Independência e sua vegetação densa, influencia processos de biodeterioração, escurecimento das superfícies e retenção de umidade. A visita permitiu aos participantes compreender, de forma concreta, como fatores climáticos, ambientais e urbanos impactam a conservação e como a observação técnica aliada à prática de canteiro orienta intervenções responsáveis e eficazes.
Essa oficina contou com a participação de uma turma de alunos do ensino fundamental II, além de funcionários do próprio museu. Foi uma ótima oportunidade para aproximar diferentes públicos do cotidiano da conservação, permitindo que jovens e profissionais observassem de perto os procedimentos técnicos, fizessem perguntas e identificassem, no próprio edifício, a materialização do que estava sendo dito. A troca gerada ao longo do percurso contribuiu para ampliar a percepção sobre o cuidado com o patrimônio, reforçando a importância da educação patrimonial como ferramenta de sensibilização e construção de pertencimento.
Restauro e conservação de vitrais
Data: 05/11/2025
Horário e duração: 15h às 16h (1 hora)
Local: Museu de Zoologia
Modalidade: Presencial
Na segunda masterclass no Museu de Zoologia convidamos o público a entrar no museu e conhecer um pouco dos vitrais históricos do edifício, aprofundando a compreensão sobre sua importância artística, técnica e simbólica no conjunto arquitetônico do Museu de Zoologia. Iniciamos destacando como esses vitrais, confeccionados pela família Sorgenicht, da tradicional Casa Conrado, integram a narrativa visual do museu ao representar animais em seus ambientes naturais: fauna e flora brasileiras, contextos fluviais e cenas que dialogam diretamente com a temática zoológica. Esses elementos, articulados aos ornamentos em gesso presentes no interior e na fachada, reforçam a concepção do edifício como espaço dedicado à ciência e à história natural.
Durante o percurso, apresentamos técnicas de análise e diagnóstico aplicadas ao estudo de vitrais, suas patologias mais recorrentes, como trincas, deslocamentos, corrosão de chumbo, manchas de oxidação e sujidades acumuladas ao longo das décadas. Em seguida, explicamos os procedimentos de limpeza, reforço estrutural e proteção adotados. Essa etapa da visita evidenciou a riqueza dos vitrais como patrimônio material e simbólico, revelando o cuidado necessário para garantir sua preservação e sua continuidade na experiência sensorial do museu.
Apresentação
O Instituto Sarasá é uma organização dedicada a aproximar pessoas e patrimônio cultural, atuando na difusão e na educação patrimonial por meio de projetos, oficinas e vivências que fortalecem o sentimento de pertencimento e a valorização coletiva. Com abordagem social e política, o Instituto entende o patrimônio como narrativas e práticas vivas, desenvolve ações que estimulam a participação das comunidades, promovem vínculos e ampliam a consciência sobre a importância dos bens culturais no cotidiano.
Como parte central dessa atuação, a Zeladoria do Patrimônio Cultural constitui uma de nossas principais metodologias e formas de compreensão do patrimônio. Concebida em 2000 e registrada como prática autoral, a Zeladoria propõe uma preservação simples, acessível e profundamente participativa, baseada no aprendizado assistido, no resgate de técnicas e saberes tradicionais, na cultura da memória e na atribuição coletiva de valores. Por meio de projetos, agendas, oficinas e canteiros vivos, essa abordagem coloca o componente humano no centro, incentivando o reencontro com fazeres, observações afetivas e relações críticas com as histórias e memórias dos lugares.
Cada ação de Zeladoria é construída a partir dos pilares do conhecimento, pertencimento e empoderamento, gerando impactos sociais, econômicos e culturais que reforçam a vitalidade do patrimônio e sua conexão com as comunidades que o vivenciam:
Dessa forma, o presente documento tem como objetivo registrar os temas abordados nas masterclasses ministradas, detalhando a condução das aulas, as dinâmicas propostas e o engajamento do público. Nas atividades realizadas em canteiros e edifícios tombados, foram utilizados, em algumas visitas, materiais didáticos convencionais, como apresentações iniciais que contextualizavam o edifício, sua história e os objetivos da experiência. No entanto, o foco principal esteve na abordagem prática, que privilegiou a vivência direta com o patrimônio e a relação sensível do público com o edifício.
Essa prática envolveu observar, tocar, percorrer e interpretar os espaços, reconhecendo in loco as técnicas construtivas, os materiais, os processos de degradação e as soluções de conservação. A partir de demonstrações ao vivo, buscamos transformar o próprio bem cultural em sala de aula, permitindo que os participantes compreendessem o patrimônio a partir da experiência concreta, do olhar atento e do diálogo com o lugar, elementos fundamentais para fortalecer a percepção, o pertencimento e a valorização coletiva.
Além disso, reafirmamos o compromisso contínuo do Instituto Sarasá com a disseminação de ações voltadas para educação patrimonial, entendida como um processo formativo que aproxima as pessoas dos bens culturais por meio do conhecimento, da experiência e da corresponsabilidade. Nesse contexto, nossa atuação se posiciona como um articulador de saberes, fomentando práticas que fortalecem as cadeias produtivas da cultura e ampliam o acesso à educação.
Desta forma, a parceria com a Escola de Patrimônio do CULTSP PRO tem sido fundamental nesse propósito, fortalecendo a construção de metodologias sensíveis e participativas, que articulam teoria e prática. Essa colaboração amplia o alcance das ações formativas e educativas, qualifica os conteúdos oferecidos e reforça a missão compartilhada de promover o cuidado cotidiano com os bens culturais e a difusão de saberes relacionados à sua conservação.














